Memórias da Banda Desenhada Nº164
Por Jorge Magalhães | O Louletano, 9 de Fevereiro de 2009~
Quando eu tinha os meus cinco anos, já lia (ou melhor, soletrava) jornais infantis. Nesse tempo, publicava-se em Portugal um jornal de pequeno formato, O Mosquito, que, devido ao módico preço de capa (cinco tostões) e às aventuras que inseria, se tornara bastante popular. Com uma tiragem semanal capaz de fazer inveja à dos seus confrades mais recentes (60.000 exemplares, aproximadamente), O Mosquito ocupava uma posição privilegiada entre as publicações da época, apesar do seu reduzido número de páginas e da fraca qualidade do papel em que era impresso.
Essa popularidade atingiu o auge quando começou a publicar, no n° 508, de 6/5/1944, as aventuras de Cuto, um pequeno herói de cabelo ruivo e rosto cheio de sardas, corajoso, perspicaz e ágil como um gato. Cuto era uma criação do jovem artista espanhol Jesús Blasco, que iniciou a sua carreira aos 14 anos — como já foi referido nesta rubrica —, depois de ter sido premiado num concurso de desenhos organizado pela revista Mickey.
Pequeno, desenvolto, inteligente, com um agudo sentido de observação e reflexos prontos como o raio, Cuto não tardou a tornar-se o maior ídolo dos rapazes portugueses desse tempo, que vibravam com as suas aventuras e desejavam em segredo imitá-lo, identificando-se facilmente com aquele rapaz tão humano, tão parecido com eles, que nada tinha de um super-herói, "um rapaz como qualquer outro (como escreveu o crítico espanhol Luis Gasca), embora vivesse aventuras excepcionais e experiências que normalmente estavam vedadas aos rapazes da sua idade, conduzindo com mão segura lanchas a motor, aviões e velozes automóveis desportivos".
Por Jorge Magalhães | O Louletano, 9 de Fevereiro de 2009~
Quando eu tinha os meus cinco anos, já lia (ou melhor, soletrava) jornais infantis. Nesse tempo, publicava-se em Portugal um jornal de pequeno formato, O Mosquito, que, devido ao módico preço de capa (cinco tostões) e às aventuras que inseria, se tornara bastante popular. Com uma tiragem semanal capaz de fazer inveja à dos seus confrades mais recentes (60.000 exemplares, aproximadamente), O Mosquito ocupava uma posição privilegiada entre as publicações da época, apesar do seu reduzido número de páginas e da fraca qualidade do papel em que era impresso.
Essa popularidade atingiu o auge quando começou a publicar, no n° 508, de 6/5/1944, as aventuras de Cuto, um pequeno herói de cabelo ruivo e rosto cheio de sardas, corajoso, perspicaz e ágil como um gato. Cuto era uma criação do jovem artista espanhol Jesús Blasco, que iniciou a sua carreira aos 14 anos — como já foi referido nesta rubrica —, depois de ter sido premiado num concurso de desenhos organizado pela revista Mickey.
Pequeno, desenvolto, inteligente, com um agudo sentido de observação e reflexos prontos como o raio, Cuto não tardou a tornar-se o maior ídolo dos rapazes portugueses desse tempo, que vibravam com as suas aventuras e desejavam em segredo imitá-lo, identificando-se facilmente com aquele rapaz tão humano, tão parecido com eles, que nada tinha de um super-herói, "um rapaz como qualquer outro (como escreveu o crítico espanhol Luis Gasca), embora vivesse aventuras excepcionais e experiências que normalmente estavam vedadas aos rapazes da sua idade, conduzindo com mão segura lanchas a motor, aviões e velozes automóveis desportivos".
Mais popular ainda do que Tintin — que, ao tempo, se publicava n'O Papagaio —, Cuto foi o ídolo, o herói indiscutível de uma geração, que ainda hoje o recorda com emoção e saudade. Após um eclipse que durou vários anos — entretanto, Blasco começou a trabalhar para Inglaterra, criando outras personagens que lhe deram mais fama e dinheiro, como o misógino Garra de Aço —, Cuto voltou a ressurgir em Portugal, numa revista que herdou até o seu nome: o Jornal do Cuto, meritória iniciativa de Roussado Pinto, homem a quem a história da Banda Desenhada no nosso país muito deve.
Exemplo de vocação precoce, Blasco tomou para modelo de Cuto o seu irmão Alejandro, a quem todos em família tratavam por essa carinhosa alcunha. Cuto e os seus amigos Gurripata y Camarilla formavam uma pandilha de garotos travessos que apareceu pela primeira vez nas páginas de uma publicação chamada Boliche. Mais tarde, abandonando a faceta cómica, Blasco iniciou uma nova etapa da sua carreira no semanário Chicos, editado em San Sebastian, do qual viria a tornar-se, ao longo dos anos, um dos mais apreciados colaboradores.
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