F. Cleto e Pina no Jornal de Notícias, de 21 de Dezembro de 2012


A famosa canção “Eu vou, eu vou, para casa agora eu vou…” ecoou pela primeira vez há 75 anos, no Carthay Circle Theatre, em Hollywood. Era a estreia de “Branca de Neve e os sete anões”, a primeira longa-metragem animada da Disney.

Com estreia portuguesa um ano mais tarde, “Snow White and the Seven Dwarfs” (título original), era também a primeira longa-metragem animada produzida nos Estados Unidos, a primeira totalmente a cores e tornou-se no primeiro dos Clássicos Disney.

Drama romântico visto por milhões de pessoas ao longo dos seus 75 anos, deixou gravadas nas memórias músicas inesquecíveis, o nome dos sete anões (Mestre, Feliz, Zangado, Soneca, Atchim, Dengoso e Dunga na versão brasileira que Portugal viu durante muitos anos) e cenas marcantes como a fuga alucinada de Branca de Neve pela floresta assombrada, a dança com os animais na casa dos anões, o espelho falante, o trágico fim da rainha má ou o beijo final do príncipe que desperta Branca de Neve do sono da morte.

Dirigido por David Hand, o filme, que tinha um orçamento inicial de 150 mil dólares mas custou 10 vezes mais, demorou quatro anos e meio a produzir e inspirou-se num conto dos irmãos Grimm intitulado “Branca de Neve” (“Schneewittchen), publicado pela primeira vez no início do século XIX, no livro "Kinder-und Hausmaërchen" ("Contos de Fada para Crianças e Adultos"). Adriana Caselotti deu voz à protagonista e Harry Stockwell ao príncipe, papeis assumidos por Sandra de Castro e Henrique Feist na versão lusa de 2009.

Nomeado para o Óscar da Melhor Banda Sonora (que perderia para “One Hundred Men And A Girl”), “Branca de Neve e os sete anões” valeria a Walt Disney um Óscar honorário em 1939, para comemorar o primeiro filme inteiramente animado do cinema norte-americano, que era muito especial: a estatueta tradicional era acompanhada por outras sete, mais pequenas.